Regresso ao Paraíso Alentejano

Mais um fim-de-semana, mais uma viagem, mais uma voltinha. Íeis-me de novo no paraíso alentejano, a barragem de Santa Clara. É sempre um prazer ali regressar, ainda para mais bem acompanhado com os Amigos da Pagaia. Como bom alentejano, aqui mais perto…cheguei atrasado, mas ainda a tempo de descarregar e tratar do resgate. Todos juntos a pagaiar nas límpidas águas, um grupo de 17 em 14 botes, algo que daria uma reportagem fotográfica fantástica, não fossem os fotógrafos em número reduzido (um) e a falta de pilhas logo no começo, mas há imagens que embora não tiradas ficam guardadas nas nossas memórias. Embora o dia se apresenta-se com bastante sol e sem muito frio (estávamos a 24 de Novembro), o vento bateu-nos forte, mas tornou o passeio mais divertido e exigente, causando uma agitação naquelas águas habitualmente mais calmas.
Houve quem não ficasse muito contente com o esforço físico suplementar que aquele vento forte exigia, mas eu cá gostei de ver o meu bote a subir e a descer as ondas e a abanar quando se pagaiava lateralmente ao vento. Antes do almoço demos por falta de dois companheiros que se tinham adiantado ao grupo e rumado para o local de chegada, como eles estavam no rumo certo, decidimos parar para almoçar, pois o esforço já pedia abastecimento. Após o Almoço o vento aumentou e a dispersão do grupo sucedeu, pois cada um lutava com as suas dificuldades ventosas, mantendo cada um o seu ritmo, pois paragem significava andar para trás. Até um Nélito branco (dizem que são os melhores) fez de rebocador a um RTM Solo em dificuldades de progressão. Antes da chegada procedeu-se a um reagrupamento, pois os dois solitários desaparecidos do grupo foram encontrados, aliás foram encontrados os seus botes numa margem juntamente com todo o equipamento, mas deles nem sinal. A preocupação bateu em todo o grupo e após muito caminhar e gritar, monte acima e abaixo, lá os encontrámos. Tinham ido buscar o carro que já estava perto e ficaram por ali no passeio. O grupo dirigiu-se para o fim, mas como ainda era cedo e havia água pela frente, houve quem decidisse palmilhar mais uns km lutando contra o vento. Só não se terminou todo o braço, porque o entardecer não o permitiu e não estava combinada uma nocturna. O campismo foi feito no parque de campismo Serro da Bica, pertença de uns estrangeiros, que não gostam de grelhadores a carvão, mas como não nos avisaram da proibição lá conseguimos fazer a grelhada para o jantar. Repasto, conversa e até dois aniversários onde não faltou a cantoria e o bolo. Mais uma noite de partilha e convívio em muita boa companhia. No dia seguinte a partida fez-se pela manhã algo gelada e muitos desistiram de irem para a água, preferindo um passeio e um bom almoço no restaurante. Os navegantes lá partiram para fazer uma das partes mais bonitas desta barragem. A entrada foi no Castro da Cola por entre muita rocha, com o almoço a fazer-se já perto do ponto de chegada do dia anterior. O regresso fez-se tranquilamente ao encontro dos comilões, que nos tentaram fazer inveja com o excelente repasto que tinham feito, mas nós causamos-lhes também inveja, pois tinham perdido uma bela e rochosa paisagem e alguns km de convívio a pagaiar. Hora de voltar a casa e planear o próximo encontro na barragem do Maranhão.
SoulWater

Concelho de Santiago do Cacém...


… tem a sua localização a sul do distrito de Setúbal, na região do Litoral Alentejano. Dista a 150 km de Lisboa e a outros tantos do Algarve. Santiago do Cacém começou por ser um povoado Pré-Celta que foi Romanizado desde o século I da era de César até ao século V da era de Cristo, possuindo uma vasta história que certamente será um prazer investigar para os apreciadores. Actualmente é a sede de concelho e conta com 11 freguesias. O território apresenta zonas montanhosas, zonas de planícies, vales e várzeas, onde sobressai o sobreiro, medronheiros, pinheiros, azinheiras e eucaliptos. Apresenta também uma vegetação de estevas, urzes, sargaços, carvalheiras e carrasqueiros, bem como uma arboricultura de oliveiras, laranjeiras, vinha e outras árvores frutíferas. Sendo um local com uma beleza natural e sem grande poluição, pode-se encontrar uma fauna composta por raposas, texugos, doninhas, papalvos, lontras, coelhos, lebres, perdizes, javalis, rolas, o cisão, tordos, a codorniz, patos, pombos bravos, corvos, águias, mochos e noitibós.

Como lugares de interesse para visitar salientamos alguns como: Estação Arqueológica das Ruínas de Miróbriga (origem pré-romana), o Castelo de origem árabe, a Igreja Matriz (de construção gótica), o Centro Histórico, o Museu Municipal, Parque Urbano Rio da Figueira e o Moinho da Quintinha, bem como outros monumentos nas várias freguesias. O Centro Equestre, a Escola de Voo, o Centro Cultural, o Alexander´s e o Badoca Parque são igualmente locais a visitar. A sua gastronomia é rica em sabores, salientamos a Caldeirada de Enguias, diversos Pratos de Peixe, a Açorda Alentejana, as Migas e Gaspacho, Carne de Porco á Alentejana e Pratos de Caça. Na Doçaria valerá a pena provar os rebuçados de Pinhão e Mel, os Alentejanos, o Bolo de Santiago e o de Torresmos, Alcomonias, Filhós e Popias Coradas.


Descrevemos de seguida uma parte que nos interessa particularmente, tudo o que diz respeito á Hidrografia. Para além da diversa beleza natural, este concelho é banhado pelo oceano atlântico, possuindo as Praias: da Lagoa de Santo André, da Costa de Santo André, do Monte Velho, das Areias Brancas e a praia da Fonte do Cortiço. Na parte leste do concelho encontra-se o Rio Sado e algumas das Ribeiras que são afluentes da Lagoa de Santo André. Estas Ribeiras são pequenas embora algumas delas em épocas de chuva permitam em determinadas zonas a exploração em kayak, desde que os mesmos sejam de pequeno porte. Temos então as Ribeiras: do Roxo, de Campilhas, de S. Domingos, da Corona, da Badoca, do Azinhal, da Cascalheira e a ribeira da Ponte. Como locais de eleição para a prática de Canoagem, Vela, Natação e Pesca temos: a Lagoa de Santo André, a Barragem de Campilhas e a Barragem de Fonte de Serne. A Lagoa de Santo André é uma reserva natural, onde se mistura a água salgada do mar com a das três ribeiras que aí desaguam, com um valioso património ecológico como zona de nidificação e passagem de aves migratórias.


A Barragem de Campilhas é a de maior dimensão e a de Fonte de Serne embora mais pequena possui uma maior beleza paisagística. Ambas servem para reserva de água potável e para a rega, bem como para a pesca ao Barbo, Carpa e Achigã. São estes os três locais de eleição para os treinos e passeios destes kayakistas alentejanos, que para quem deseje conhecer terá três dias a pagaiar em belas paisagens alentejanas neste litoral plantadas. Relativamente perto, mas já no concelho de Sines poder-se-á pagaiar ainda na Barragem do Morgavel, bem como no mar que banha toda esta faixa costeira. Muito mais haveria a dizer sobre este concelho e suas gentes, mas nada como deixar o restante para ser descoberto por todos vós quando aqui decidirem vir deliciarem-se. Contem com estes alentejanos para ir convosco á descoberta de Santiago do Cacém.

Gastar as Br€as para o Inverno

Após um pedido de conselho do nosso amigo de Reguengos de Monsaraz, sobre equipamentos para o Inverno, surgiu-nos a ideia de aqui deixar algumas dicas para nos vestir-mos a rigor para a época e gastarmos alguns (bons) €uros das broas do Natal (que cada vez ficam mais minguadas). A ideia surgiu pela dificuldade que o nosso amigo está a ter para encontrar um fato de neoprene, tipo jardineira com a sua medida e que nos questionou qual a nossa opinião de comprar um fato de bodyboard para a prática de canoagem. Desaconselhámos esta opção com várias justificações, dando-lhe indicação de diversas lojas onde poderia insistir na procura do referido fato com a sua medida, ou de sites para encomenda ou ainda como opção comprar umas calças de neoprene, que consideramos como 2ª opção, pois são tão caras como o fato e este permite um maior aquecimento e estanquidade. Vamos então ás compras para um natal mais agasalhados e na moda.

Começamos com um casaco impermeável, que cortará também o vento.

O tal Fato de Neoprene, o denominado jardineiras.


Um Polo Térmico para andar-mos mais quentinhos e aconchegados.

Umas Luvas para o frio e para evitar andar de mãos molhadas.
Umas Botas de Neoprene para não molhar os pezinhos.

Umas Meias de Neoprene para os aquecer ainda mais.



Um Gorro talvez para as terras mais frias do Norte (a sul faz sempre calor).


O indispensável Colete, pois para além de também aquecer representa segurança.
Nos dias de chuva poder-se-á optar por um chapéu impermeável, tipo pescador.
Uma pequena resalva, não liguem ás marcas dos equipamentos, não pretendemos fazer publicidade (não nos quiseram dar comissão), são meros exemplos ilustrativos (mas por acaso dos mais em conta).
Posto tudo isto lá se foram as Br€as do Natal, mas assim podem enfrentar todas as tormentas invernais e deixarem-se de desculpas para não pagaiarem no Inverno.
Boas Festas e muitas e boas Pagaiadelas!!!

Pagaia Élio VI

Sendo possuidores de três pagaias que variam entre uma qualidade baixa e uma qualidade média, chegou a altura de investir numa de boa qualidade. O desejo era de ter uma pagaia leve, com umas pás de boa dimensão, que melhora-se a tracção na água, principalmente em passeios no mar e possibilitando uma maior velocidade.


Nos passeios em que pude participar com os Amigos da Pagaia foi-me possível experimentar uma diversidade de pagaias, o que me permitiu ir definindo o que desejava. Os preços das pagaias variam bastante no nosso mercado, dependendo dos modelos e marcas, dos fabricantes e dos importadores, sendo importante fazer uma boa selecção para comprar algo de qualidade a um preço aceitável (pois não posso inviabilizar a compra do bote da águas bravas). Após a consulta de diversos sites e vários contactos telefónicos com diversas marcas e representantes, cheguei á conclusão que quase todos efectuam cópias de marcas de renome internacional (estas extremamente caras), sendo as cópias da marca Bracsa fabricadas em maior número. Também optei por contactar atletas de competição, os quais tinham pagaias á venda, não com o objectivo de comprar usadas, mas de ouvir as suas opiniões sobre os mais diversos modelos. Escutando e aprendendo com os conselhos e opiniões de alguns Amigos da Pagaia, dos fabricantes e dos atletas de competição decidi então que queria uma pagaia em carbono, em “colher” tipo competição, com uma pá com cerca de 770 cm2, com um peso entre as 650 gr e as 750 gr, em que a dita colher tivesse uma maior dimensão na sua extremidade para possibilitar uma maior tracção em mar. Como é óbvio a escolha da marca teve em consideração o preço, pois os fabricantes nacionais copiam todos os modelos da Bracsa, sendo produtos muito similares na qualidade mas não no preço. Tendo em consideração o desejo e os objectivos traçados optei por uma cópia Bracsa, a Élio VI, que me foi enviada pelo correio, tendo eu que fazer a sua montagem, a colagem das pás no tubo (pois montada teria que ser expedida por transportadora aumentando em muito o custo da mesma).

Desde a encomenda até chegar ás minhas mãos decorreram cinco dias, período em que me interroguei se conseguiria efectuar correctamente a montagem. O fabricante explicou ao pormenor como haveria de proceder para a montagem, enviando a respectiva cola e mostrando-se sempre disponível para qualquer dúvida. Tenho que admitir que achei que seria complicado, nomeadamente para estabelecer o ângulo adequado, mas seria mais um desafio, que se veio a provar ser facilmente resolvido. As três pagaias de casa ajudaram a aproximar do ângulo mais habitual, mas sendo estas pás em concha existiam certas diferenças. Sem efectuar a colagem fui ensaiando os ângulos quer pagaiando no ar, quer no tanque do monte. Estes ensaios permitiram-me escolher o ângulo apropriado para mim, onde optei por não ter que efectuar aquela ligeira rotação nas mãos ao mudar da pá da direita para a pá da esquerda. Após os ângulos estarem definidos efectuei a colagem e retirei as enormes letras a publicitar a marca, faltando agora o ensaio dentro de água com o kayak.

Foi em mais um passeio alentejano de 25 km na Barragem de Campilhas, que fiz o ensaio. As primeiras pagaiadelas exigiram alguma habituação, pois estas pás em colher são muito diferentes das que já possuía, de início sentiu-se de imediato um aumento de velocidade (com a pagaiada certinha), mas também um aumento de instabilidade, que foi diminuindo e desaparecendo com os km. A velocidade continuava alta, o peso da pagaia nem se notava, mas após uns 15 km comecei a notar e a sentir o cansaço que esta pagaia transmite, pois a dimensão das suas pás exige mais esforço a pagaiar, nomeadamente quando o ritmo até aqui imprimido era tipo de competição. Desde que é colocada dentro de água até sair sente-se sempre a tracção e a força na água, notando-se o efeito do seu poder na velocidade atingida. Mas após mais alguns km os músculos habituaram-se e deixaram de se queixar do esforço exigido. É uma pagaia que exige alguma habituação e treino, mas que depois de dominada dá um prazer de velocidade e de força incrível. Enfim, fiquei muito satisfeito com esta nova aquisição, faltando agora ir para o mar experimentar este peso muito leve, tão leve como mais leve ficou a minha carteira, mas a jeito de conclusão toda esta leveza valeu a pena.

SoulWater

K A P S por Terras Além……………..Tejo


Após o desafio lançado em “Isto está fraco a sul” desorganizou-se um passeio por terras alentejanas, nas já muito pagaiadas Barragens do Alvito e Odivelas, com poiso na Koutada Markádia. O ajuntamento começou na 6ª feira á noite no parque de campismo que fica com extrema na água (a modos que diz: venham para a água) e que prima por ser muito aprazível e sossegado (excepto com acampamentos dos APs).

“Até aqui o tipo não descreve mal, mas que raio o gajo escreveu no título, será que também saiu agora discoteca? Já lhe faltam letras no inicio? Já tá-se a passar!”

Não caros papagaianos, não me tou a passar, eu explico:

K de Kome
A de Antes
P de Pagaia
S de Suavemente, ou seja o produto final:

“Kome Antes, Pagaia Suavemente por terras além……………….Tejo”

Era muito comprido para título, uma trabalheira para escrever com a foice no teclado. Mas espero ter-vos aguçado a apetite para a refeição, perdão, para o passeio que passo a descrever.

Esta Koutada alentejana é engraçada (deve ser uma ONG de apoio a imigrantes) tem um porteiro que dizia que sim a tudo, mas eu acho que ele não entendia metade do que lhe era dito. Nã, não era alentejano tinha uma língua de trapos, mas eu também não entendi algumas das suas respostas e falo três línguas e ao telemóvel. As hostes foram chegando aos poucos e imediatamente após desligarem o carro abriam os sacos de comida e começam a partilhar petiscos, não faltando a grelhada já nocturna, com ementa diversa desde o peixe á carne. A nocturna de 6ª feira foi composta por: Comida, conversa, monta tendas, conversa, beber café, monta tendas, conversa, conversa, dormir (confesso que ainda comi uns chocolates antes de me deitar).

O combinado seria partir da Koutada sábado ás 10 horas em direcção á B. do Alvito, mas estando nós no Alentejo saiu-se ás 10.40 horas, parando em Alvito para satisfação de diversas necessidades (claro que não digo quais, foram todas mui pessoais, das pessoas todas, sabem?) e retomando a viagem para a água cada vez mais atrasados. Embora tendo já dormido nessa noite no alentejo (os ares ainda não se tinham impregnado) eis que o desorganizador Lisboeta tomou a liderança na estrada e para anular o atraso (coisas de lisboetas, nós aqui no alentejo nunca nos atrasamos, o tempo é que vai adiantado) pôs as viaturas a velocidades pouco recomendadas para as estradas alentejanas (eu bem vi, vinha mais atrás e vi, as duas depressões, um desmaio e um sopro no coração provocados nos desgraçados dos animais á beira da estrada, tal foi a velocidez). Uma pequena nota mental de memo: os GPS, por motivos estranhos perdem os pontos todos! As máquinas até são boas, mas talvez pela enorme extensão destas terras além-tejo não funcionam lá muito bem, mas eu prefiro o velho mapa e bússola.

Chegados ao ponto de encontro, já muitos lá estavam. Conclusão: os que vieram de longe chegaram a horas, os que estavam mais perto já no alentejo atrasaram-se, portanto concluo da conclusão: que estes ares têm algo de muito peculiar, pois interferem com as ondas mentais dos que por aqui andam e é impossível de contrariar, portanto ficam a saber por mais que se esforcem, quando estiverem no alentejo aguentem-se a andar devagar, lentinho e por fim parados, o tempo é que tá adiantado.
Abraços, beijinhos, apresentações, reencontros, trocas de barras de cereais, toca de descarregar os botes e partir para o resgate. Já com os carros em Oriola e prontos a regressar junto aos botes um pequeno contratempo, a auto caravana do Sr. Manuel, que nos iria fazer regressar a todos, teimou em deitar-se no campo enlameado e de lá não queria sair (malditos ares até pegam nos carros). Com homens robustos, com situação militar resolvida, com melhor aspecto que a nossa equipa de râguebi, com a intensa massa muscular destes papagaiadores a empurrar (e um pequeno jipe que deu um pequenita ajuda) a dita cuja lá se dignou a sair da lama indo pastar para o local da partida. Antes de partirmos deu para reparar na adesão da frota de K2, num total de cinco, embora dois deles transportassem três. Confusos? Nã, houve quem levasse os filhotes para dentro de água, transformando dois K2 em K2 e meio. Nota: eles transportam os filhos de uma forma estranha, ou no poço de carga ou ainda entre a barriga e a pagaia, o que é certo é que as crianças estavam divertidas. Merecem uma menção honrosa (Diogo e Inês) pois portaram-se como dois verdadeiros juniores APs e alinharam os dois dias dentro de água, onde até deu para bater choco (esta actividade enquadra-se no tópico “Treinamo-los de pequeninos para pagaiarem por nós, enquanto vamos comendo”, para dar continuidade á linhagem navegante). Nota: a repetir mas ainda com mais crianças.

Será que este número de K2 tem a haver com os ares? Acho que sim, para não se cansarem dividem a pagaiada a meias e assim torna-se mais fácil, pois foi vê-los a tomar a dianteira do bando, imprimindo um ritmo inicial de gaz…., aves,…graciosas aves. Os K1 estavam bem representados, como sempre, em número de oito. Búe de gente que podia estar a campinar o meu monte, em vez de estar aqui a dar de beber ao bote (não é nota de memo).
O passeio decorria a bom ritmo, com conversas molhadas, perdão, conversas animadas, até…pararmos para comer o almoço, num local mui in frequentado por bichos abuadores, eram aos kilos e poisavam em tudo o que ali existia, eu até ia comendo duas juntamente com o frango, enquanto havia outros que mui serenos as deixavam poisar em todo o corpo, outros que se agitavam e comiam a caminhar e outros ainda que decidiram almoçar dentro dos botes a navegar. Falo das vespas que almoçaram connosco que de alentejanas nada tinham, pois voavam e poisavam freneticamente em tudo e todos. Embora fosse um almoço volante e agitado, ainda houve tempo e tolerância para cafezinho, fotografias e conversa. Bem nem todos foram tolerantes e foi engraçado ver dois APs a almoçarem dentro de água, sem âncoras a manterem os botes lado a lado, parados e com comida e pagaias entre mãos.

A tarde foi passada a pagaiar com um sol fantástico, com alguns a fazerem os bracinhos todos pelo caminho (têm que digerir o que comem) e o grosso da coluna a seguir no braço central para Oriola: O passeio terminou cedo, ainda com tempo para umas trocas de botes e circum-navegação entre as torres da Herdade das Torres, que estão plantadas dentro de água. No regresso ao parque já nos aguardavam com expectativa, quem? Os grelhadores. Enquanto uns foram a banhos outros foram a brasas. De saudar aqui os quatro grelhadores que estiveram em trabalhos forçados, o exercício e a companhia abrem os apetites e foi a altura de se iniciar a primeira prova nocturna, comer. É uma daquelas provas já viciadas á partida, pois todos são vencedores e quem não é, de certeza que se negou a comer. Iniciaram-se as olimpíadas da grelhada com tudo o que possam imaginar, era comida, mais comida e mais comida que eu nem descrevo ao pormenor para não vos provocar fome ou mau estar. Não faltaram os miminhos como o arroz doce, bolos, figos, nozes e talvez ainda mais algo que comi e não me lembro. Parecia um festim romano, eles comem tudo e não deixam nada.
Não se conseguiu apurar o 1º prémio, o que comeu mais, pois a dúvida permaneceu entre muitas bocas, mas como tudo foi regado com muita conversa, caiu tudo bem naqueles porões.

Com uma noite de lua cheia, surge o próximo desafio, uma nocturna. A maioria empanturrada recusou e apelidou de loucos os três proponentes a irem para a água, que estava ali ao lado. Uma partida da Koutada até ao paredão, com um surfzito pelo caminho, a intenção era beber um café , mas lá chegados e após tal alarido, confrontamo-nos com o café fechado e com um grupo de alentejanos em festa, bebendo, falando e de grelhador acesso e mais…comida. Nã mais comida não. Fugindo ao pecado, partimos contornando o paredão e rumando pelo corpo central da barragem até ao seu topo, tínhamos que fazer a digestão. Não fosse Odivelas o passeio do dia seguinte, tínhamos feito tudo naquela noite (havia energia acumulada para isso). No regresso ao parque esperávamos encontrar o resto do pessoal numa festa desenfreada, não dando descanso aos imigrantes, mas…o silêncio imperava (ou a porra dos ares batera-lhes na cachimónia e foram todos dormir ou a quantidade de comida ingerida caiu na moleza). Parece que a agitação foi toda dentro de água, pois fora já estavam dentro de sacos camas quentinhos e reconfortantes.

A alvorada no Domingo foi á hora que devia ser (não sei bem qual, pois na madrugada anterior a hora mudou, mas era tarde), tendo os presentes mantido o fuso horário antigo (no alentejo as mudanças de hora chegam mais tarde). Não fomos á missa porque não havia igreja, e quem não cuida do espírito tem que cuidar do estômago, hora do pequeno-almoço. Rumando para o sentido oposto ao paredão, fez-se um braço á direita onde tivemos encontros imediatos animalescos, ora com bons nacos de carne (leia-se vacas), ora com estridentes bifinhos (leia-se perus) que durante algum tempo ficaram pasmados a galar-nos e a tirar-nos fotos, era estranho tanta gente dentro de água em cima de tantas coisas colorida, que os perus ficaram vidrados em nós, pasmados com tantos botes atracados na sua frente. Mas como bons perus alentejanos receberam-nos com simpatia e conversa aguçada, até nos atiraram pão e barras de cereais, mas mantiveram a distância, pois viram nos nossos olhos que perto de nós seria tacho na certa, os bichos são espertos.

No segundo dia para além das crianças juntou-se-nos uma adolescente, que nos veio estragar o bom nome de “grupo de Kotas com nomes esquisitos” e lá andou a pagaiar connosco. Ficámos a ser só um grupo com nomes esquisitos, isto porque se pretende alargar o grupo a mais adolescentes/crianças, deixando que escolham eles os seus nicks esquisitos. De salientar ainda a presença de dois lisboetas que decidiram ir sozinhos pagaiar a Odivelas no seu SOT e que preferiram juntar-se e participar na nossa desorganização. Pelo que sei gostaram, pois até já voltaram a participar noutra desorganização lá para os lados de S. Pedro. Rumando para o braço esquerdo (com umas buchas pelo caminho), chegámos ao limite do braço, havendo quem quisesse enterrar-se na lama (á semelhança de uma auto caravana) talvez porque a lama alentejana tem propriedades sujas e lamacentas que atraem, deve ser porque quando lá chegamos ficamos enterrados e parados. Outro momento inédito foi ver três mulheres a navegarem dentro de um kayak e o desgraçado embora nelo lá as levou a bom porto. Como não iniciamos cedo, a hora de almoço já tinha passado e foi vê-los a pagaiar energicamente em direcção ao parque, para o almoço que é sempre á hora que um homem ou mulher querem.

Outro momento lúdico e ó desportivo…comida, outro almoço, outra digestão. As horas passaram e alguns decidiram começar a empacotar os botes, outros decidiram dar o banho da tarde e fazer mais uns bracitos. Despedidas e promessas de breve reencontro, lá partiram cinco almas pagaianas para tomar um café ao paredão. Atracar na areia foi complicado, tal era a frota de kayaks, mas com um chocolate com passas lá se convenceu o arrumador a arranjar uns lugares juntos. Entre conversas lá escorregaram os cafés e uns gelados. Nota para memo: Os porões dos APs têm grande capacidade de carga.
De regresso ao parque a debandada já tinha sido geral e os que sobraram já carregaram os botes com o cair da noite (coisa tipo nocturna). Beijos, abraços e promessas que vamos á missa em Santa Clara, pois como somos um poço de pecados, nomeadamente no que concerne á gula, vamos lá pedir perdão pelo nosso pecado e com certeza se comermos mais ficamos perdoados pelo que já foi comido.

Espero ter sido suficientemente maçudo para que repensem quando se lembrarem de me pôr novamente no relato, lembrem-se deste e ponham-me antes uma grelhada entre as mãos.
“Possa, o gajo acabou!”

Hááá, ainda faltaram aqueles pormenores, que são sempre importantes (ou talvez nim), no 1º dia fizeram-se perto de uns 20 km, na nocturna não faço ideia e no segundo dia (mais para uns e menos para outros) rondaram talvez outros 20 km. Tentei contabilizar os kilos de calorias ingeridas no passeio, mas as minhas capacidades lisboetasÓalentejanas ficaram esgotadas e confusas depois de escrever tudo isto com duas foices.

SoulWater

Fotos http://picasaweb.google.com/soulwateri/BarragemOdivelas

http://picasaweb.google.com/soulwateri/BarragemAlvito