Opções, Alterações e Transformações

Infelizmente o tempo disponível não dá para tudo o que há para ser feito e este blog tem andado desactualizado por esse motivo. Mas tem-se arranjado tempo para pagaiar, ou semanalmente ou quinzenalmente, ora com os amigos, ora com a família. Este ano estava prevista a aquisição de um kayak de águas bravas que também desse para surfar, mas muitas vezes na vida surgem situações que nos levam a alterar o planeado. Foi este o caso. Apareceu um excelente negócio para um K1 de competição, não resisti à tentação e toca de fazer negócio (adiei mais uma vez a compra do bote pequeno). Isto permitia-me também fazer a reconstrução de um kayak, coisa que sempre desejei fazer para aprender mais umas coisitas. O Kayak em questão não estava em muito mau estado, mas necessitava de melhorias e de uma personalização. Peguei então no Nelo Eagle Factor 3 em carbono, do ano de 1999 e meti-o no estaleiro doméstico para dar início aos trabalhos, onde permaneceu durante 3 semanas, pois quando fui tendo bocadinhos é que me dediquei a ele. Esta é a foto do original:
Ainda antes disso e na altura da compra coloquei-o dentro de água para o ensaiar e dou-me conta do cavalo bravo que adquiri. Os banhos sucederam-se e ao fim de quase umas duas horas a tomar banhos lá consegui fazer uns km sem cair (até parecia que tinha vontade própria de se voltar), até …cair novamente ao banho.
Como kayak de competição que é, era todo aberto no seu interior, quando se voltava enchia-se de água e era um martírio para o tirar de lá, bem como a água que ficava lá dentro. Toca de fazer uma divisão em fibra de vidro atrás do banco para isolar toda a traseira (trabalho complicado de fazer sem moldes). Sendo a frente também aberta só foi possível aí colocar uma bóia de flutuação insuflável, lá aproveitei a parte da cabeça de um colchão que andava cá por casa, com um tubo de enchimento que vai até ao pedal do leme, permitindo o seu enchimento quando estamos fora do kayak. Agora pode-se voltar á vontade que já não vai ao fundo, nem faz mais de submarino. O banco de competição era muito elevado, o que potenciava o desequilíbrio, fora com o banco e foi feito um mais baixo e mais confortável.Como cavalo bravo que era e que teimava em deitar-se (com um fundo completamente redondo) precisava de mais estabilidade e para ajudar a um maior equilíbrio toca de lhe pôr uma quilha antes do leme.
Estando a traseira agora isolada e apostando numa transformação que lhe desse um ar de turismo, foi colocada uma tampa estanque de carga redonda em plástico, passando assim a permitir levar carga com fartura. Para melhorar ainda o seu aspecto vai de pôr uns elásticos para carga no casco ou simplesmente levar uma pagaia suplementar.
Para amarrar a corda caça pagaias, foi colocado um elástico á frente do poço. Como gosto de aproveitar o que anda de velho cá pelo estaleiro, quero apenas mencionar que as peças plásticas que suportam os elásticos são as tampas de parafusos de cintos de segurança de carros, que depois de devidamente trabalhadas ficaram a cumprir a sua função na perfeição.
Para facilitar o transporte mais seguro no carro, coloquei umas pegas na proa e na popa, para passar as correias e ir bem amarrado quando ando por aí com os botes a velocidades proibidas por lei, permitindo também um fácil transporte por duas pessoas.O comando do leme é o de competição e para dar mais apoio aos calcanhares alonguei-o até ao fundo do casco, assim os pés vão devidamente apoiados. No seu topo coloquei também um tubo em carbono para aí fixar os dedos dos pés e assim poder garantir um melhor apoio para ajudar na estabilidade e no equilíbrio.
Depois de muito lixar, foi dada alguma fibra para retocar algumas imperfeições que tinha no casco, mais umas lixadelas e estava pronto para pintar. Aqui foi uma das piores partes, pois o estaleiro não reúne as melhores condições como estufa, nem eu sou um grande pintor com este tipo de tintas, mas fiz o possível para ficar razoável. Aqui fica a imagem do produto final:
Não podia faltar o respectivo nome de baptismo e o símbolo dos Amigos da Pagaia, em cada um dos lados, bem como uma fita branca na junção do casco superior e inferior.
Sempre gostei de andar depressa, seja a pé, de carro, de mota, ou de kayak e este anda realmente depressa, daí decidi baptizá-lo com RunWater, pois vai ser possível andar agora dentro de água ainda mais depressa (puxando bem por mim), desde que me mantenha lá dentro, pois o cavalo bravo foi um pouco amansado com estas transformações, mas não deixa de ser bravo, estreito e com um fundo redondo, continuando a exigir dotes de equilibrista. Ficou também um pouco mais pesado, pois o seu peso era de 9 Kg, agora com todos estes acessórios não sei, embora continue bastante leve terei que o pesar para saber o seu real peso. Continua exigente quando se pára de pagaiar (aconselhável fazê-lo nas margens), mas a pagaiar está diferente e mais permissivo e que anda, realmente anda. Agora há que praticar e aumentar os treinos, pois se assim for será possível domá-lo por completo e utilizá-lo para passeios de um dia, levando a respectiva carga. O bote de águas bravas vai ter que esperar mais uns tempitos, ou pode ser que depois desta experiência faça um em fibra de vidro para surfar aqui pelas ondas alentejanas, a ver vamos.
SoulWater

O Acessório Mais Caro para os Nossos Kayaks

Pois é, estas coisas da canoagem leva-nos a gastar muitos €€€, são os kayaks, pagaias, vestuário, material de campismo e muitos outros inúmeros equipamentos necessários e fundamentais para alimentar esta paixão, ainda para mais quando os apaixonados cá de casa são os quatro membros da família, é sempre a multiplicar por quatro. Mas há acessórios e acessórios e este que vos queremos apresentar é realmente o mais caro, mas também sem ele teriamos que pôr os kayaks no tanque do monte alentejano e ficarmos quietinhos sem dar á pagaia. Julgo que já vão percebendo onde queremos chegar, agora vamos poder andar descansados, pois colocamos o P1 na ponta dos kayaks e não haverá GNR que nos possa multar, pois agora respeitamos o código da estrada (isto dos comprimentos é complicado). Claro que vos estamos a falar da nova viatura de transporte dos kayaks, mas não é uma viatura qualquer, pois para além do maquinão passámos a ser considerados CEE`DERADOS, algo que somente alguns se poderão sentir e perceber. Para ser mais fácil entenderem o que dizemos nada como dar uma voltinha por http://www.createforum.com/ceederados/index.php?mforum=ceederados e também por http://www.kiaclubeportugal.pt.vu/ páginas interessantes e com novos amigos devido a esta opção de sermos Cee`derados. Mas como vos falo deste novo acessório convém vê-lo para perceberem a sua beleza, bem como utilidade, não é um mero meio de transporte é o nosso Cee`d, que também transporta os nossos belos kayaks, que quando postos em cima das barras ainda fica uma SW mais bonita. No segundo dia em casa foi logo estrear-se nas belas praias de Porto Covo, para se ir habituando a estar perto de água, pois terá um longo futuro perto de muitas e diversas águas.

Como podem perceber estamos contentes com a aquisição do nosso novo KIA CEE`D SW CRDI EX, bem como por fazer parte da comunidade de Cee`derados, onde já conquistámos novos amigos que brevemente teremos a possibilidade de conhecer pessoalmente e partilhar in loco as nossas viaturas. O Nome de baptismo foi "Back in Black" quer pela sua bela cor, quer em memória da grande banda AC/DC.
Esperamos que os nossos amigos e companheiros de águas a achem tão bonita como nós achamos e que muito brevemente ela nos leve até mais um passeio dentro de água convosco. Até lá vamos rodando e tendo o prazer de fazer Kms ao volante desta máquina, que é o acessório mais caro para praticarmos canoagem por este país fora.

Outra Vez no Rio Vez

Mais uma descida no límpido Rio Vez, na companhia do meu compadre Paulo Quintas. Após a descida do Rio Lima e para não perder a pedalada, no dia seguinte lá fomos para a água novamente. Ainda aguardámos mais companheiros para a descida, mas julgamos que o caudal afugentou alguns dos interessados. Desta vez a água estava a um bom nível e a corrente bem mais forte para tornar a descida mais interessante e muito mais rápida. Tão rápida que não dava para ver algumas daquelas pedras malandras, que só se sentiam quando se batia e roçava nelas, mas sem isso a adrenalina não teria sido tão forte. Algumas pesqueiras metiam agora mais respeito e o ainda não ter os botes apropriados para estas andanças, levou-nos a contornar uma ou outra. O Rotomod Solo e um bote de Pólo não são os indicados, mas á falta de melhor é com eles que descemos, mas desta vez lá levámos os capacetes e os coletes, pois o rio não estava para brincadeiras inconscientes, como já o fizéramos da última vez.
É um rio com águas límpidas em que se vê sempre o maravilhoso fundo (excepto quando a espuma fervilha á nossa volta), a poluição ainda aqui não chegou, gente nesta altura nem vê-la, foi como ter o paraíso só para nós o saborearmos, aliás a vontade era a de tomar um bom banho, como tantas vezes já o fizemos nestas águas. O dia contribuiu para tornar esta descida ainda mais bela, pois o sol acompanhou-nos sempre e espreitava por entre a vegetação quando esta era mais densa, um dia muito agradável tendo em conta que estamos em pleno Inverno. Após esta espectacular experiência ficou já apalavrada uma nova descida lá para Março, esperando que chova mais um pouco para tornar o rio ainda mais rápido e a descida ainda mais emocionante. Esta foi a quarta experiência em águas bravas, onde o nível de perigosidade das descidas tem aumentado de grau em cada uma delas, ainda sem ter passado por um banho forçado (habitual nestas andanças), desejo que a próxima descida seja ainda com um nível de dificuldade mais elevado e aguardo com expectativa qual será a pesqueira que me fará tomar o tal banho forçado (não sem antes me esforçar por não o tomar). Em Março lá será o Vez outra vez.
SoulWater

Objectivo: Lima concluído.

Mais um passeio com os Amigos da Pagaia no dia 19 de janeiro, agora por águas do Rio Lima. Fui o único sulista a aparecer (pese embora o cansaço e custos de 600 km para cada lado) e vi-me rodeado por boas gentes do norte, alguns já conhecidos e outros que foram um prazer de conhecer, como é obvio senti-me muito bem neste grupo, ainda para mais navegando no meu Berlengas com o meu compadre Quintas no lugar traseiro, partilhando sempre bons momentos de convívio e divertimento. Com partida de Ponte de Lima e chegada a Viana do Castelo, conclui assim a única parte do rio Lima que me faltava fazer, para conhecer todo este belo rio em Portugal. Um único dia com estes nortenhos foi pouco para os conhecer melhor e partilhar ainda mais, mas de certeza que haverão outras saídas mais prolongadas para aprofundarmos o nosso relacionamento e amizade. Conhecendo agora todo o rio, chego á conclusão que os percursos mais a norte são mais bonitos, quer pela paisagem com vegetação mais densa e diversa, quer por o rio se apresentar mais estreito, mas esta zona final também é bonita e agradável de ser feita. A um ritmo interessante lá fomos saboreando o trajecto, o dia estava uma maravilha, sol em todo o passeio e estava tão quentinho que até deu para após o almoço fazer uma pausa para o bronze.
Habituado a lidar com as gentes do norte, sei como são bom garfo, mas espantei-me por o pessoal recorrer ás sandes como almoço, mas não fui o único também notei algum espanto quanto a nós, pois nós para além do fogão, pratos e café ainda levámos bancos e mesa, é que gostamos de comer com conforto (e aumentar o peso no bote para nos enrijecer os músculos). Foi facílimo, eu e o compadre atinarmos com a remada certa no k2 e por vezes entusiasmamo-nos no ritmo, o que nos levou a estarmos somente os dois no meio do rio, mas havia um entusiasta ainda maior que nós, pois tal foi o ritmo da pagaiada que o deixávamos de ver. Já depois da ponte de Viana fomos ter com uma Amiga da Pagaia que nos aguardava numa pequena ribeira, para nos acompanhar no restante percurso, pois o seu SOT não era o indicado para todo o percurso. A paragem deu para mais um café e umas belas fotos desta ribeira. O final estava próximo e pela primeira vez deu para ver a cidade de Viana do Castelo de dentro de água e em destaque lá no alto o seu belo Templo-Monumento do Sagrado Coração de Jesus em Santa Luzia. De salientar o aspecto cuidado e organizado da zona ribeirinha. Um passeio a repetir lá mais para as férias de verão com a família toda.
SoulWater

Fim de Ano no Maranhão

Mais um passeio em família com os Amigos da Pagaia, nas ainda desconhecidas águas da barragem do Maranhão. Um bom parque de campismo á beira de água plantado foi o local de acampamento, local aprazível e tranquilo. Não houve tendas para montar, o frio dos últimos dias de Dezembro era intenso e trocou-se as barracas por caravana, auto caravana e apartamentos. No dia 27 começou o acantonamento dos navegantes, que logo nessa noite começaram os festejos em honra do ajuntamento. Muitas pagaias ficaram em casa bem como os respectivos botes, reduzindo o número de navegantes dentro de água no dia seguinte (coisas dos festejos). A partida dos cinco kayaks fez-se pela manhã rumo ao braço de Avis, por onde se almoçou e se perdeu mais uma pagaia, que fez o regresso ao parque de carro. Com um sol agradável por entre muita rocha, vegetação, água e amizade bateram-se os cantinhos todos e afinaram-se pagaias. No término do braço, mais um belo local com muita rocha onde faltou uma incursão na ribeira Grande, mas embora tentados já era tarde para incursões nocturnas e regressou-se ao parque com muita pena minha. Mais uns amigos que chegaram aumentando o grupo e iniciaram-se os festejos nocturnos com jantarada, convívio, jogos diversos e muita risada. No dia seguinte rumaram quatro kayaks para o sul, em direcção ao paredão. O dia estava frio, húmido e com um nevoeiro intenso, que sem os úteis GPS não teríamos ido muito longe, a visibilidade era de uns poucos metros. Tornou-se interessante navegar sem visibilidade das margens mas perdeu-se um navegante, que devido ao desconforto que sentia na embarcação foi por nós acompanhado ao local de partida, retomando o pequeno grupo o caminho novamente para sul, juntinhos para não nos perdermos naquele intenso nevoeiro.
Uma boa navegação fez-nos tomar o caminho correcto, apesar de umas curvas pelo meio. Quase no fim do caminho de ida o sol abriu por entre o espesso nevoeiro e o dia ficou radioso. O almoço foi junto ao paredão, outro local bonito, com muita conversa, fotos e mais conversa sobre o nosso tema preferido, a canoagem. Lá começamos o retorno agora com a possibilidade e o prazer de ver as margens e paisagens deste braço. Os três pagaiadores imprimiram um bom ritmo e com muita conversa pelo meio rapidamente chegámos ao parque, nem se notando os km feitos. Deu para ensaiar um bote de competição e sentir a falta de estabilidade que estes botes têm, mas com umas horas de treino, aquela instabilidade desapareceria de certeza. Após a arrumação do material e um bom banho fomos jantar a um restaurante muito agradável, onde o repasto tornou ainda mais delicioso o estar em tão boa companhia. Não podendo continuar mais dias no Maranhão, no domingo fizemos o regresso a casa, lamentando não poder ficar com estes excelentes amigos para a passagem de ano, que pelo que agora sabemos foi excelentemente bem passado. Enfim, foram quatro dias bem passados num local muito agradável, onde vamos regressar de certeza, pois ainda faltaram uns bons km de água para explorar e concluir toda esta barragem.