Ainda antes disso e na altura da compra coloquei-o dentro de água para o ensaiar e dou-me conta do cavalo bravo que adquiri. Os banhos sucederam-se e ao fim de quase umas duas horas a tomar banhos lá consegui fazer uns km sem cair (até parecia que tinha vontade própria de se voltar), até …cair novamente ao banho.Como kayak de competição que é, era todo aberto no seu interior, quando se voltava enchia-se de água e era um martírio para o tirar de lá, bem como a água que ficava lá dentro. Toca de fazer uma divisão em fibra de vidro atrás do banco para isolar toda a traseira (trabalho complicado de fazer sem moldes).
Sendo a frente também aberta só foi possível aí colocar uma bóia de flutuação insuflável, lá aproveitei a parte da cabeça de um colchão que andava cá por casa, com um tubo de enchimento que vai até ao pedal do leme, permitindo o seu enchimento quando estamos fora do kayak. Agora pode-se voltar á vontade que já não vai ao fundo, nem faz mais de submarino. O banco de competição era muito elevado, o que potenciava o desequilíbrio, fora com o banco e foi feito um mais baixo e mais confortável.
Como cavalo bravo que era e que teimava em deitar-se (com um fundo completamente redondo) precisava de mais estabilidade e para ajudar a um maior equilíbrio toca de lhe pôr uma quilha antes do leme.
Estando a traseira agora isolada e apostando numa transformação que lhe desse um ar de turismo, foi colocada uma tampa estanque de carga redonda em plástico, passando assim a permitir levar carga com fartura. Para melhorar ainda o seu aspecto vai de pôr uns elásticos para carga no casco ou simplesmente levar uma pagaia suplementar.
Para amarrar a corda caça pagaias, foi colocado um elástico á frente do poço. Como gosto de aproveitar o que anda de velho cá pelo estaleiro, quero apenas mencionar que as peças plásticas que suportam os elásticos são as tampas de parafusos de cintos de segurança de carros, que depois de devidamente trabalhadas ficaram a cumprir a sua função na perfeição.
Para facilitar o transporte mais seguro no carro, coloquei umas pegas na proa e na popa, para passar as correias e ir bem amarrado quando ando por aí com os botes a velocidades proibidas por lei, permitindo também um fácil transporte por duas pessoas.
O comando do leme é o de competição e para dar mais apoio aos calcanhares alonguei-o até ao fundo do casco, assim os pés vão devidamente apoiados. No seu topo coloquei também um tubo em carbono para aí fixar os dedos dos pés e assim poder garantir um melhor apoio para ajudar na estabilidade e no equilíbrio.
Depois de muito lixar, foi dada alguma fibra para retocar algumas imperfeições que tinha no casco, mais umas lixadelas e estava pronto para pintar. Aqui foi uma das piores partes, pois o estaleiro não reúne as melhores condições como estufa, nem eu sou um grande pintor com este tipo de tintas, mas fiz o possível para ficar razoável. Aqui fica a imagem do produto final:
Não podia faltar o respectivo nome de baptismo e o símbolo dos Amigos da Pagaia, em cada um dos lados, bem como uma fita branca na junção do casco superior e inferior.
Sempre gostei de andar depressa, seja a pé, de carro, de mota, ou de kayak e este anda realmente depressa, daí decidi baptizá-lo com RunWater, pois vai ser possível andar agora dentro de água ainda mais depressa (puxando bem por mim), desde que me mantenha lá dentro, pois o cavalo bravo foi um pouco amansado com estas transformações, mas não deixa de ser bravo, estreito e com um fundo redondo, continuando a exigir dotes de equilibrista. Ficou também um pouco mais pesado, pois o seu peso era de 9 Kg, agora com todos estes acessórios não sei, embora continue bastante leve terei que o pesar para saber o seu real peso. Continua exigente quando se pára de pagaiar (aconselhável fazê-lo nas margens), mas a pagaiar está diferente e mais permissivo e que anda, realmente anda. Agora há que praticar e aumentar os treinos, pois se assim for será possível domá-lo por completo e utilizá-lo para passeios de um dia, levando a respectiva carga. O bote de águas bravas vai ter que esperar mais uns tempitos, ou pode ser que depois desta experiência faça um em fibra de vidro para surfar aqui pelas ondas alentejanas, a ver vamos.
SoulWater


É um rio com águas límpidas em que se vê sempre o maravilhoso fundo (excepto quando a espuma fervilha á nossa volta), a poluição ainda aqui não chegou, gente nesta altura nem vê-la, foi como ter o paraíso só para nós o saborearmos, aliás a vontade era a de tomar um bom banho, como tantas vezes já o fizemos nestas águas. O dia contribuiu para tornar esta descida ainda mais bela, pois o sol acompanhou-nos sempre e espreitava por entre a vegetação quando esta era mais densa, um dia muito agradável tendo em conta que estamos em pleno Inverno. Após esta espectacular experiência ficou já apalavrada uma nova descida lá para Março, esperando que chova mais um pouco para tornar o rio ainda mais rápido e a descida ainda mais emocionante. Esta foi a quarta experiência em águas bravas, onde o nível de perigosidade das descidas tem aumentado de grau em cada uma delas, ainda sem ter passado por um banho forçado (habitual nestas andanças), desejo que a próxima descida seja ainda com um nível de dificuldade mais elevado e aguardo com expectativa qual será a pesqueira que me fará tomar o tal banho forçado (não sem antes me esforçar por não o tomar). Em Março lá será o Vez outra vez. 

