Nelo Kayakmaran

Finalmente foi concluída com sucesso a fase mais trabalhosa deste projecto Kayakmaran. O Nelo Factor 3 em carbono que já cá estava à um ano, sofreu duas ligeiras alterações no casco, onde foram inseridas as duas peças de fixação dos tubos de união dos kayaks, pintura das mesmas e do casco envolvente. O Nelo USA de fibra deu muito mais trabalho, pois o seu estado era miserável, houve até quem me dissesse que devia deitá-lo fora e que não acreditava na sua recuperação. Este era o estado inicial:
Nem mostro mais fotos, para que não se assustem ainda mais, mas realmente o seu estado era péssimo e até eu em determinada altura duvidei que fizesse algo de jeito daquilo. Mas não desisti e fui trabalhando com o objectivo de ter o meu kayakmaran. Comecei por arrancar toda a fibra que lhe colaram para tapar os buracos (e grandes crateras ficaram a descoberto), depois lixei todo o casco e iniciei a tapagem de buracos e crateras. Utilizei três tipos de fibra de vidro, a mais usual com a malha e a fibra líquida/secante, a fibra em pasta e por fim massa de fibra. Muito pó branco cobriu todo o meu estaleiro, mas todos os buracos e crateras ficaram tapados e lisos. Como todos os kayaks de competição, este também não possuía divisórias estanques, então lá fiz o molde e a peça em fibra, fixando-a depois no casco (atrás do local do banco) com malha e fibra líquida. Estava criado o poço estanque e o compartimento de carga de popa. Na proa optei por colocar um insuflável. Poupado como sou, lá utilizei uma almofada de um colchão de praia. Este K1 numa utilização individual também nunca mais irá ao fundo e como kayakmaran ir ao fundo é coisa praticamente impossível de acontecer. No casco da popa marquei o local da tampa de carga e toca de recortar a fibra e fazer os buracos dos parafusos. O bocado de fibra daí retirado deu para tapar o bocado que lhe faltava na popa do casco, como mostra a foto de cima. A gola do poço estava toda partida aos bocados e impossível de aproveitar, optei por cortá-la toda fora, depois pensaria como fazer uma nova ou caso não conseguisse fazê-la ficava sem gola para o saiote, aquela é que não podia lá ficar. Como também gostaria de ter uns elástico no casco, fiz 6 peças em fibra para passagem de elásticos, duas na proa para pôr elástico e passar o Leash do remo (assim não perdemos os remos) e quatro atrás para pôr elásticos para levar carga.
Esta opção deu mais trabalho, pois coloquei no meio da fibra um tubo de plástico, para evitar o desgaste da fibra. Devido à dificuldade de arranjar as peças de plástico e de não gostar da ideia de ter mais furos no kayak, pus a cabeça a funcionar e arranjei esta solução, que foi mais trabalhosa mas que fica muito bem enquadrada no casco. Como o leme do Nelo Factor 3 é pequeno e poderia não ter capacidade para manobrar o kayakmaran, optei por furar o USA (que não trazia leme) e colocar-lhe um tubo para no futuro poder levar um leme de mar grande, o qual ficou tapado com uma tampa de plástico. Foi um trabalho que agora sei que foi desnecessário, mas já lá está e um dia poderei sempre utilizá-lo e colocar também neste kayak um leme. Como é lógico nesta história de kayakmaran somente um kayak deve ter o leme a trabalhar, pois se houvessem dois lemes dentro de água e os kayakistas entrassem em conflito e cada um quisesse ir para seu lado era complicado de navegar a coisa. Assim somente um manda na direcção e já não há discussão. Como o Nelo USA não trazia banco (e mesmo que trouxesse o banco de competição, este seria para tirar), fiz uma base direita para colocar o futuro banco. Esta base tem uma trave a meio por baixo para apoio no fundo do kayak e apoia também nas paredes laterais do casco. Esta base era para ser feita em fibra de vidro, mas depois optei por fazê-la naquele vidro em plástico inquebrável, pois tinha algum cá por casa.
Foi também nesse material que fiz a quilha e o estabilizador da popa, que tem três ferros embutidos no casco e na quilha, tendo a mesma sido colada com araldite e com reforço lateral em fibra de vidro. A quilha e o estabilizador passaram a fazer parte do casco e tal é a sua fixação que muito dificilmente dali sairão (as pancadas que vão dar no fundo de vez em quando vão comprova-lo). Quanto ao banco a opção foi igual ao que já tinha feito no Nelo Factor 3, uma capa auto em pele transformada e cozida á medida do poço, que já se tinha comprovado ser muito eficaz e confortável. O banco fica preso á base do fundo por uma cinta com peças de encaixe em plástico nas pontas, assim não cai quando vai invertido em cima do carro e facilmente se tira se for preciso limpar. Um banco tipo sit-on-top custa 40€ e este banco ficou em 7,50€. Vivemos em tempos de crise e temos que ser poupadinhos e idiotas. O bote também não trazia poisa pés (trazia somente os apoios de fixação para o mesmo), lá tive que fazer um em madeira marítima com os respectivos parafusos de fixação que pintei de preto para se enquadrar com todo o interior, pois todo o interior foi também pintado de preto. Ainda no interior superior do casco, coloquei quatro travessas em fibra, para reforçar o casco nas zonas onde depois fiz as peças que suportariam os tubos de ligação dos dois kayaks entre si. Fiz uma peça destas á proa e outra á popa (bem como outras duas no Factor 3). No centro existe um tubo de alumínio e a envolvê-lo é tudo em fibra, que fica fixa no casco dando uma excelente rigidez. No topo de uma das pontas da peça foi colocado um tubo em plástico, onde depois encaixa um pequeno ferro (que optei por serem uns rebites inteiros) para manter os tubos de ligação fixos e os kayaks não se separarem.
Ao retirar estes rebites, podemos retirar os tubos de ligação e temos sempre dois kayaks para uso individual (para quem se conseguir aguentar dentro deles). Os tubos de ligação são em alumínio e estão envolvidos com manga retráctil. Nos topos dos tubos foram colocados borrachas. Quando os tubos estão encaixados, nem se vê o alumínio. Depois de várias pesquisas na net de como fazer a fixação dos dois kayaks, tive como primeira opção copiar e fazer umas peças que vi num site australiano, mas essas peças eram para ser utilizados em kayaks de mar que têm um casco mais largo e portanto davam mais apoio e travamento, mas com os k1 de competição achei que tal não resultaria devia á pequena largura do casco á proa e inventei este sistema, que já confirmei ser o ideal e perfeito, pois os kayaks não têm oscilação a navegar, mantendo-se como se de uma peça única se tratasse. Por outro lado tinha que ter um sistema que permitisse separar os kayaks, quer para permitir uma utilização individual dos mesmos, quer para os poder transportar, pois quando estão unidos excedem em muito a largura de um carro e eu não quero comprar mais painéis P1, pois já me chega aquela coisa aberrante a que chamam P2. No estremo da proa e da popa foram feitos dois furos de lado a lado no casco, onde depois colei um tubo de plástico por dentro dos furos, para poder passar um cordão/pega que serve para amarração da proa e da popa ao carro para o transporte do mesmo e também para o transporte dos kayaks por duas pessoas. Para o final deixei uma das operações mais delicadas, a gola para colocação do saiote. Como iria fazer aquela coisa sem molde? Depois de muito pensar e de analisar vários materiais, resolvi fazer em fibra de vidro. Coloquei barro a toda a volta do poço, para nivelar o estremo da gola, deixei o barro secar um bocado, sem ser completamente (senão teria que andar á martelada para o tirar) e coloquei a tal malha e fibra de vidro líquida a várias camadas. Safei-me bem, não ficou liso como de origem (pois fazer com moldes é outra coisa), mas tenho ali uma gola resistente e funcional, que superou em muito aquilo que eu tinha pensado que sairia. Depois de mais retoque aqui e outro acolá, passei á pintura, que foi feita da mesma cor que já tinha o parceiro Nelo Factor 3, em preto e amarelo para que o nome de baptismo inicial continuasse a linhagem. Após as pinturas foram colocados os elásticos e a tampa de carga, que levou silicone e respectivos parafusos/anilhas/porcas. Por fim coloquei uma borracha autocolante na união dos cascos superior/inferior, que já tinha sido reforçada a fibra. Foi assim que ficou depois de pronto, nem parece que é o das fotos de cima:
Julgo que mencionei as operações mais importantes, poderá haver um ou outro pormenor que me esteja a esquecer, mas também não quero maçar mais, pois longo já vai este texto, mas acreditem que muito mais longo foi a trabalheira que tive para chegar a esta parte. É que ainda faltam mais duas coisas para o Kayakmaran estar completo, uma será a colocação de uma rede ou plataforma rígida entre os kayaks para levar carga ou deitarmo-nos ao sol e a outra será a vela de grande dimensão que irei pôr no bicho. A peça para a base do tubo da vela já está a ser trabalhada e o resto a seu tempo ficará feito. E será que depois de tanto trabalho a coisa resulta ou isto foi trabalho para aquecer? Esta coisa do Kayakmaran valerá a pena? Vejam vocês mesmo o resultado.
Pois bem, a prova de mar (ou antes a prova em barragem) foi feita no dia 13 de Junho com a MindWater e ambos ficámos muito satisfeitos e felizes com o resultado final. Todos os objectivos iniciais foram cumpridos e as expectativas foram superadas. O conjunto navega sólido e sem ter oscilações, vamos muito confortáveis, é uma embarcação muito rápida (mais rápida do que o nosso Nelo Berlengas), o esforço a remar embora diferente do pagaiar pareceu-nos menor, a estabilidade dá para fazer quase tudo (literalmente dá para nos amandarmos lá para dentro e irmos aos poços de carga buscar o que necessitarmos, mesmo em andamento), vamos lado a lado um com o outro, o que permite ir numa conversa olhos nos olhos e até dá para namorar (mais só com a base a meio), permitindo ainda ser navegado apenas e só por um desde que este vá no kayak que tem o leme. A capacidade de manobra é mais reduzida do que num K2 tradicional, pois o conjunto demora mais a fazer por exemplo uma inversão (o que é normal tendo em conta a largura do conjunto), mas tal também se deve a estarmos a utilizar um pequenito leme de competição, mas que chega para termos uma manobralidade suficiente, servindo para compensar diferenças na remada e manter a rota traçada. Chega para fazer com segurança as atracagens e para nos desviarmos muito bem daqueles obstáculos visíveis. Tem a desvantagem de termos que transportar dois kayaks (e respectivas amarrações) em vez de um único K2, mas por outro lado cumpre as dimensões de transporte para a maioria dos carros, coisa que na maior parte dos k2 não acontece. Por outro lado concretizei com sucesso o objectivo da kayakadaÓpancada deste ano e de termos um embarcação diferente e talvez até única por estes lados. Como se costuma dizer cada maluco a sua pancada. Agora se já estamos satisfeitos com a rapidez do kayakmaran imaginem quando ele tiver uma vela triangular entre os 2.50 a 3 metros, o que a coisa vai andar e nós pouco remar.Depois de concluir por completo o kayakmaran, ainda terei que pegar no Sipre USA e trabalhar um pouco mais para o poder chamar de kayak (embora esteja muito melhor do que estava o Nelo USA), mas com a experiência e conhecimentos adquiridos já não será muito difícil de pô-lo a navegar. Mas depois disto também vos digo que não reparo mais nenhum, a única possibilidade que ainda deixo em aberto é de fazer um kayak em madeira (lá para a minha reforma). Apesar deste longo trabalho, as idas para águas também têm acontecido, mas essas descreverei noutro texto. Se este K2 vos agradar e caso desejem fazer também um (há malucos para tudo), podem dispor da minha ajuda. Mais fotos em http://picasaweb.google.com/soulwateri . Aproveitem bem a Vida e Boas Pagaiadas.

A KayakadaÓpancada de 2009

A vida pessoal e profissional neste ano de 2009 não tem proporcionado as idas para águas desejadas. Já decorreram alguns passeios que gostaria de ter participado, mas infelizmente tive que ficar a seco. Apesar das diversas circunstâncias ainda não houve mês que não molhasse os botes. Em Janeiro fiz sozinho um passeio na Barragem de Fonte de Serne e outro na Lagoa de Albufeira com os Amigos da Pagaia. Em Fevereiro uma ida á Lagoa de Santo André, que para além de um bom passeio deu também para umas excelentes fotos. Em Março, nova ida á Lagoa de Santo André acompanhado com quatro Amigos da Pagaia, com os quais fizemos depois uma grelhada no monte alentejano.

Ainda em Março, decorreu em Évora o 3º Encontro Nacional dos Ceederados, onde o número de amigos com Kia Cee´d aumentou bastante relativamente aos outros encontros e foi mais um dia muito bem passado com velhos e novos amigos ceederados.

O Motocross também não foi esquecido e já fiz três passeios este ano, sempre aqui por perto nos montes alentejanos. Em Abril, apenas uma ida á Barragem do Morgavel, para relaxar e fotografar. Até agora tem sido um ano fraco e com poucas pagaiadelas, tenho que inverter a coisa. No dia 1 de Maio comecei a investir num novo projecto e lá fui fazer mais uma aquisição de um K1 de competição. Apesar de ir comprar apenas um kayak, acabei por trazer dois (um Nelo USA e um Sipre USA ligeiros), ambos pela exorbitante quantia de 50€. O estado dos botes não é lá muito bom e darão muito trabalho para os deixar como novos, mas não é nada que não se faça, haja tempo e mais uns € para investir nos diversos materiais necessários. Este projecto já existe em mente á mais de um ano, mas tem sido adiado devido a outras coisas mais importantes, mas finalmente vou-me lançar a fazer o meu catamaran especial. Cada um de nós tem as suas pancadas e a minha última relacionada com a canoagem passa por fazer um catamaran utilizando dois kayaks de competição. O Nelo Factor 3 já cá estava no monte, já tendo sofrido á uns tempos transformações para permitir o turismo (já por aqui documentadas). Agora o Nelo USA também sofrerá algumas alterações para se assemelhar ao outro nélito e formarem o par. O projecto decorrerá em várias fases, onde começarei pela transformação do K1, que passará por lixar todo o casco, fibrar algumas zonas, fazer uma divisória traseira, bóia insuflável á frente, fazer o apoio para um banco novo e confortável, tampa de carga, elásticos de carga, fazer um poisa pés novo, pintura e algumas coisitas mais. O mesmo género de trabalho será feito no Sipre USA, que ficará para uma utilização individual em passeios de um dia e para dispor de mais um bote para os amigos. A segunda fase será a de trabalhar as duas uniões entre os kayaks, que serão amovíveis para facilitar o transporte e permitir também que naveguem isoladamente. A terceira fase será pôr o(s) bote(s) na água e avaliar o resultado final. Fantasio que a coisa vai andar depressa devido á linha dos cascos que os K1 de competição têm e também ao seu baixo peso. Uma coisa é certa, não se vão voltar facilmente como acontece quando estão separados. Depois verei se vou comprar dois remos ou fazê-los eu mesmo. Para vos dar uma ideia, será uma coisa parecida com a foto seguinte, mas com kayaks de competição.

A quarta fase será a construção e fixação de uma vela para o catamaran, pois as energias renováveis estão na moda e eu sempre gostei de velejar (será a terceira vela que vou fazer, mas esta será bem grande em relação ás outras). Poderei ainda acrescentar uma quinta fase, que será a construção de uma base entre os kayaks (suportada pelas uniões) para levar uma criança ou carga e ou simplesmente lá nos deitar-mos ao sol. Tal ideia só verá a luz do dia após a confirmação das qualidades de navegação do catamaran. Agora que os botes já estão no estaleiro prontos para as modificações, chegou a altura de começar a comprar os materiais necessários para concretizar o projecto “catamaran alentejanoÓlisboeta” LoL. Tal como fiz com o Nelo Factor 3, irei documentando as várias fases para depois as partilhar convosco, a ver se mais alguém terá também a pancada de ter um K2 diferente do habitual. Bons passeios e melhores Pagaiadas.

Passeio na Lagoa de Albufeira

A entrada na água em 2009 começou com um treino na Barragem de Fonte de Serne, perto de casa e sozinho com a natureza, um início de águas relaxante, a pagaiar e a fotografar. Mas como é muito bom ir acompanhado resolvi participar no 1º Passeio de kayak do CCA (Clube de Canoagem da Amora), realizado no dia 11 de Janeiro. Como o passeio foi divulgado nos Amigos da Pagaia, o número de AP`s presentes era elevado e foi bom iniciar o ano na presença de muitos amigos já conhecidos e ter o prazer de conhecer outros amigos de águas. Quanto á organização do CCA só tenho a dizer bem, correu tudo na perfeição, desde o passeio, à grelhada e ao convívio. Houve direito a champanhe para baptismo de mais um bote, mais um Nelito Azores para estrear e juntar à frota. O Passeio decorreu a um ritmo calmo, pois a Lagoa não é muito grande, havendo mais conversa do que pagaiadas.
Em 2004 já tinha estado na Lagoa (onde nunca mais voltei) e nessa altura a mesma apresentava um maior volume de água. Desta vez estava com um nível de água mais baixo e aberta ao mar, o que permitiu ir pelo canal aberto e sentir a corrente que nos levava até água mais salgada. O passeio durou apenas até à hora do almoço e a diversão bem como muitas conversas prolongaram-se pela tarde a dentro. De realçar a riqueza da Lagoa, quer nos diversos tipos de aves, quer em peixe e sendo a paisagem envolvente agradável a existência de uma vedação causa desagrado ao nosso olhar, não demonstrando servir de muito, pois só envolve parte da Lagoa e ao meio da tarde vimos e ouvimos vários motoqueiros invadirem o areal da Lagoa e propagarem fumo e muito barulho num local que deveria ser paisagem protegida. Atenção que não sou contra andar de moto, pois até pratico MotoCross com frequência, acho é existem locais onde não se deveria praticar e sou completamente contra escapes livres, que para além de poluírem mais o ar fazem um barulho ensurdecedor, o que demonstra o quanto os donos desses mesmos escapes são bestas estúpidas. Pratiquem MotoCross longe de águas e experimentem andar de kayak nelas.Todas as fotografias em
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RIO TEJO (Parte 2) A Descida

Foi um cedo erguer e ainda de noite lá parti do profundo Alentejo em direcção à Barragem do Fratel, local de encontro das três almas que se propuseram a descer o Tejo.

Entre o reconhecimento e a descida, foram encetadas várias conversações em relação aos planos e embora fosse decidido aumentar a coisa para cinco dias, decidimos que depois de lá estarmos logo se via os pormenores.

Há uns tempinhos que não via o nascer do sol, mas a longa viagem deu para saborear o raiar do dia com diferentes paisagens. Á hora marcada lá estavam eles, prontos para irem para dentro de água, ainda sob um ligeiro nevoeiro com tendência a desaparecer.

A 1ª decisão in loco foi descer desde o paredão de Cedillo até ao do Fratel, onde deixamos dois carros e partimos noutro. A chegada ao Fratel foi rápida graças a uma veloz SW que carregava os 3 kayaks e equipamentos, o local de partida foi o planeado, com um fácil acesso á água. Na entrada cuscamos logo todo o paredão, conscientes que se os espanhóis abrissem aquela coisa estávamos feitos, mas deu para tocar no cimento e vaguear por entre o mesmo sem stress. Entre montanhas lá partimos a um ritmo calmo, também para nos apercebermos da velocidade de cada kayak e respectivo remador e pouco tempo depois já tínhamos avaliado como iria ser, a paisagem era agradável e alta, densa vegetação sem viva alma, um paraíso só para nossa delícia. A galhofa e diversão começou e prolongou-se pelos dias seguintes. A primeira paragem foi feita em Vila Velha de Ródão, para comer algo ligeiro e saborear a beleza da paisagem, agora o cheiro é que era desagradável e parece que é sempre assim, fruto da indústria local. A imponência das portas de Ródão foi acompanhada de vento, que levantava umas ondas engraçadas, menos engraçado foi o vento estar sempre contra nós durante todo o percurso, o frio era suportável e o sol foi-nos brindando com a sua presença. O almoço fez-se perto de Santana, onde houve lugar a comida quente e a sesta em cima de armadilhas de pesca, local que pareceu confortável para a soneca ao sol.

O dorminhoco de serviço quando acordou em lugar da respectiva pagaia encontrou um remo de madeira, jeitoso por sinal embora algo pesado, fruto de partida brincalhona de dois sem sono, após procura infrutífera lá lhe foi dada a original, recusando o novo dono a pertença do novo remo, que por lá ficou para futura brincadeira.

Como nos atrasamos na refeição e na soneca, lá tivemos que dar ao braço para não chegar á noite. Foi altura de cada um imprimir o seu ritmo e avaliarmos as diferenças de andamento, tínhamos uma lebre de fibra, um coelho de fibra e um coelho de plástico, ou seja dava um três em linha, todos com velocidades diferentes, embora grande parte do tempo andássemos juntos momentos houve em que o três em linha fez-se notar, havendo sempre lugar a reagrupamento. Ainda a uns 5 quilómetros do Fratel encontramos um kayakista a solo que rumava no sentido oposto ao nosso, após um breve cumprimento e troca de incentivos continuamos a pagaiada até ao paredão, havendo tempo para umas fotos e conversa fiada. Este 1º dia deu para nos irmos conhecendo melhor e concluir que o bom espírito e camaradagem se iriam manter pelos dias seguintes. Chegados ao Fratel, ainda deu para conversarmos com um motoqueiro que por ali estava, apreciar a paisagem e ver a chegada do kayakista que ali andava a solo, que pela cara que fez pensou de certeza que éramos malucos para estarmos a descer o Tejo com este grease. Carregados os kayaks, teríamos que ir buscar o carro que estava em Cedillo e rumar para o acampamento, que decidimos que seria no Parque de campismo de Ortiga, pois o frio já se fazia sentir e queríamos era um banho quente. Um rumou para o parque para guardar lugar e os outros foram para Cedillo. Logo a chegada destes foi já de noite a Ortiga. Começamos com um bom banho, jantar e montagem de tendas. O frio era intenso e começamos a achar que realmente éramos doidos para ali estar com aquele tempo, o grelhador de serviço lá aqueceu um pouco o ambiente e após conversa longa a deita era desejada. Dois numa tenda e o outro sozinho noutra e fomos para o choco, pessoalmente preparei-me bem para o frio, não fossem os dois sacos cama, a roupa reforçada e barrete na cabeça iria ter frio de certeza. Os dois que partilharam a tenda dormiram bem, agora o desgraçado que dormiu sozinho diz ter rapado frio intenso, mas aprendeu a lição, pois na 2ª noite arranjou um local excelente para dormir lol.

A partida no segundo dia não foi a horas muito recomendáveis e ainda tivemos que conduzir até ao Fratel, embora a partida estivesse planeada para ser na Amieira do Tejo, um dos elementos teimava que o local tinha fácil acesso, fizemos-lhe a vontade e fomos ver. Era uma encosta bem acentuada, ainda por cima cheia de calhaus, mas mesmo assim fomos até lá ao fundo (sem kayaks) para avaliar a coisa, ou seja algo impróprio para descer com os botes. Uma vez lá no fundo e em vez de regressar pelo caminho mais acessível, fui desafiado para uma escalada por entre a ravina de pedras, não resisti e o dia começou com uma escalada de pés e mãos e no fim não havia frio nenhum, antes um calor intenso provocado por aquela íngreme subida, foi a 1ª aventura do dia.

Posto isto, rumamos à Amieira para a entrada na água planeada, local de facílimo acesso e de plena beleza. Da Amieira partimos em direcção ao paredão do Fratel, aqui mudamos o nome deste passeio, pois estávamos a subir o Tejo e não a descer. A paisagem é muito mais agradável e bonita do que a do 1º dia. Chegados ao paredão lá tivemos que tocar no cimento, acho que ansiamos que eles abram as comportas para nos ajudar a vir por aí a baixo, mas mais uma vez não aconteceu e após por ali circularmos e fotografarmos iniciamos novamente a descida. Ainda fomos explorar um braço de um riacho, com uma beleza verdejante, mas este caminho revelou-se tortuoso e quem lá deixou um bocado na rocha foi o homem destemido do plástico, ficando o topo da rocha plastificada. Chegados à Amieira paramos para o almoço, local com mesas, fonte e de excelente paisagem, como o almoço era de refeição quente, quem não aderiu á moda toca de dormitar ao sol novamente. Mais uma vez uma refeição demorada que depois do atraso já ganho pela manhã iria impedir uma chegada ao paredão de Belver diurna. Logo na partida deparámo-nos com o primeiro açude navegável e com corrente, um pequeno rápido que exigia uma escolha de caminho para os fibrados, mas que foi bom de se fazer e ultrapassado sem riscos. A paisagem é muito agradável e mais diversificada e bonita do que no dia anterior, deu para ver por algumas vezes lontras e até um casal de lontras que brincavam destemidos na margem a poucos metros de nós. Há passagem pelo Castelo de Belver o dia começava a escurecer e como não tínhamos faróis tivemos que dar ao braço, o que já não evitou chegarmos de noite, afinal sempre fizemos uma nocturna. O vento não nos favoreceu e o frio fez-se sentir ao final do dia e entramos pela areia a dentro da praia fluvial de Ortiga num breu nocturno com um frio de rachar. Faltavam-nos ainda duas viagens, ir buscar o carro à Amieira do Tejo e colocar outro em Constância e regressar para a dormida em Ortiga. Esta opção de desejar ter os carros sempre perto deu trabalho e fez-nos fazer muitos km, mas também se revelou compensatória no sentido de ter-mos sempre tudo á mão sem andar a carregar tudo nos kayaks. Mais um acampamento no parque de Ortiga, mais uma grelhada, mais muita conversa e mais uma dormida. O friorento da noite anterior não quis voltar a sofrer e toca de arranjar um sítio quentinho para dormir, pois os vapores largados de muitos banhos e com portas e janelas fechadas até parecia que estava em casa, pois é o que já perceberam, pegou no colchão e saco cama e toca de ir dormir para a casa de banho, o duche para os deficientes estava sequinho e era a assoalhada maior, local perfeito para uma boa pernoita e um bom sono. Bem podia ter sido melhor, não fosse a meio da noite por lá aparecer um velhote que foi fumar e incomodar o nosso campista de WC com o fumo, o homem ficou danado pois não suporta fumo de tabaco, mas que dormiu sem frio, lá isso dormiu.

Já com algum cansaço, esta gente deixou-se dormir pela manhã e a partida de Belver foi quase ás 11 da manhã, horários era coisa que não se estava minimamente a cumprir, mas teríamos que estar ás 17.30 H. em Constância no Posto de Turismo para nos abrirem o Parque de Campismo ou então dormiríamos na rua, sem banhinho quente e sem outros confortos. Lá entramos na água, um frio de rachar, a chuva a cair, um vento terrível de proa e a corrente que aqui deveria existir (pois não havia mais barragens pela frente) pura e simplesmente não existia, ou a senti-la era a andar para trás. Enfim tivemos um dia terrível, nada agradável, sempre molhados e com frio. Esta parte do Rio foi a que apesar de tudo mais gostei, quer pela beleza da passagem, quer pelo rio se apresentar mais estreito, quer pelos muitos açudes que passamos a navegar ou a pé, infelizmente o mau tempo e o tempo contado ao segundo não deram para apreciar devidamente a beleza, as paragens quase não existiram e foi um percurso sempre em esforço e ao ritmo máximo. As distâncias entre nós iam aumentando e passamos quase todo o percurso os três em linha, havendo reagrupamentos nalguns açudes, bem como umas ultrapassagens, esta é uma parte adequada aos kayaks de plástico devido aos muitos açudes e pedras, exigindo mais atenção aos pilotos de fibras, mais passagens á mão, mais paragens para ver se não tinham partido com as pancadas, demorar mais para escolher os caminhos, enfim os fibrados ganharam mais uns valentes riscos mas nada que comprometesse a fiabilidade e navegabilidade das grandes máquinas, a determinada altura já nem me importei muito com a fibra, era pagaiar e siga.

Mas até o de plástico sofreu uns bons lanhos, quando começou estava como novo, quando terminou já lhe faltavam uns bons bocados, mas que se portou muito bem portou, até o açude do Pego desceu, excelente barco e com bom piloto náutico, que embora tenha ficado parado em cima de uma pedra a meio do açude com uns bons saltos de rabo acabou por o descer. Aí a fibra teve que ir á mão, ou teriam lá ficado de vez. O Almoço foi feito tardiamente em Abrantes, na praia local debaixo do chão dos restaurantes ali situados e que bom abrigo, pois chovia desalmadamente e o vento enregelava todos os ossos, mesmo assim não se perdeu o hábito da refeição quente, mas hoje sem soneca e sem percas de tempo. A parte do percurso que mais gostei foi esta, desde Belver até Abrantes. O Açude de Abrantes tinha as comportas todas abertas e a altura era agora bem maior do que a vista de cima aquando do reconhecimento, portanto só restou sofrer mais um pouco e carregarmos os kayaks á mão para a transposição. O atraso matinal, o terrível tempo (ou tempestade) e os muitos açudes fizeram-nos perder muito tempo e estávamos muito atrasados para chegar a Constância, portanto os fibrados resolveram pagaiar e dar gás para chegarem á chave que nos daria um banho quente, ficando o plástico para trás mas sempre á vista. Nesta parte o rio apresenta muitas zonas baixas onde tem que se navegar com cuidado pois embora haja muitas zonas de areia, existem também muitas de pedra. As margens são baixas com muitos locais agradáveis para paragens, infelizmente não as podíamos fazer, bem como as fotografias que foram deixadas de tirar pois as máquinas não aguentariam a chuva. Com esforço de braços e já cansados lá chegámos ao posto de turismo ás 17.31 H., altura em que as funcionárias já estavam de saída, foi por um triz, mas conseguimos garantir o banho quente e o quarto para dormir. Entretanto lá chegou o homem do plástico, mais descansado mas molhado. Nesta parte do rio quero realçar uma corrente de água que desci, que era forte e exigiu destreza de braços para não me enfiar contra um calhau e que nestas manobras tive o prazer de me confrontar com duas lontras que subiam o rio e que passaram a uns 20 a 30 cm de mim, adorei ver aqueles animais a nadar e a enfrentar a corrente, bem como a passarem tão junto a mim sem se assustarem e nesse preciso momento ao tirar a cabeça da água uma delas olhou-me nos olhos e prosseguiu, momento de beleza pura.

Chegados ao Parque de Constância, tivemos que voltar a Ortiga para ir buscar os outros dois carros. Depois deste terrível dia o banho quente soube mesmo bem, bem nem para todos, pois houve um que não tomou pois a água ficou fria, uma torneira pifou e não se conseguia fechar, estávamos em dia negro. Como o parque estava por nossa conta desenrascamo-nos fechamos a torneira de segurança e demos traulitada na maldita torneira até ela fechar de vez. Com tanta peripécia já não havia paciência para cozinhar e fomo-nos deliciar com um bom jantar num restaurante local, enfim descanso, comida e muita conversa. Regressados ao parque fomos brincar com um atrelado cheio de kayaks, mas a coisa correu mal, quem é que depois segurava o atrelado no sítio, enfim uma cambada de doidos lol, decididamente não foi o nosso melhor dia. O cansaço era tanto que montar tendas estava fora de questão, dormir nos carros não dava jeito com tanta tralha por lá, a melhor opção foi dormirmos todos no WC multiusos. Pois foi, literalmente acampamos lá dentro, só lá faltou guardar os kayaks, pois até mesa e cadeiras tínhamos para o pequeno almoço, quartos individuais e aquecimento central de chuveiro (pois voltou a água quente). As indicações que os locais nos deram é que no dia seguinte o tempo estaria igual (tempestade) e começamos a pôr a hipótese de abortar a operação, pois não tínhamos ido para ali para sofrer, mas para nos divertirmos e pagaiar. Fomos dormir com a ideia amanhã se vê. No dia seguinte ninguém acordou cedo, tudo ferrado e com algum cansaço acumulado. O tempo até estava calmo e sem chuva, mas depois de um longo e bom pequeno almoço cancelamos o resto da descida, para continuá-la quando o tempo estivesse melhor. Realmente esta data não foi a melhor para este percurso, mas como metemos na cabeça que tinha que ser este ano e somos teimosos, foi a data possível. Ainda se foi até ao Castelo do Almourol, a Vila Nova da Barquinha em passeio e depois fomos almoçar a Valada, de onde seguimos para casa. Foram dias muito bem passados (apesar do mau tempo), bom companheirismo, boa diversão, belas e agora conhecidas paisagens e muitas mais peripécias que por aqui nem mencionei nesta já muito longa descrição, enfim vamos lá voltar no futuro e fazer a descida do inicio ao fim, será a 3ª Parte, mas com bom tempo.

Mais fotos em http://picasaweb.google.com/soulwateri
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RIO TEJO ( Parte 1) Reconhecimento

Como já mencionei fui picado para participar numa autonomia no Rio Tejo, com entrada no paredão da Barragem Espanhola de Cedillo e com o final em Alverca, um percurso de 190 km por quase todo o Rio em Portugal. O percurso até á foz foi descartado porque a partir de Alverca o rio já não tem muito interesse paisagístico e o interesse principal centra-se no seu percurso inicial. Esta autonomia estava para ser feita a solo pelo amigo Ciclista, mas essa ideia do solo era um bocado difícil, descabida e sofredora, pois este percurso revela algumas dificuldades que só são facilmente ultrapassadas a dois. Como a ideia da aventura e descoberta deste percurso me agradava encetei conversações para concretizarmos pelo menos os dois esta descida. Começou-se por definir o percurso e as datas para a realização do mesmo, agendadas para 22, 23, 24 e 25 de Novembro. Comecei o estudo do percurso através de alguns mapas e do Google Earth, mas embora sendo uma excelente ferramenta tem algumas limitações, ficando várias dúvidas por esclarecer, restava uma solução, pormo-nos a caminho e fazer o reconhecimento in loco de todo percurso.

Foi o que combinamos para dia 9 de Novembro, ás 6.50 da manhã já estava em Alverca para me juntar ao Nuno e começar o reconhecimento. Começamos pelo fim e fomos ver a rampa prevista para a chegada, em Alverca junto ao clube náutico local. Um bom local com saída facilitada pela rampa de cimento e sem lodo.


Metemo-nos á estrada sem cumprir limites de velocidade pois um único dia seria curto para vermos todos os locais importantes a reconhecer. A 1ª paragem foi feita no paredão da Barragem do Fratel, eram quase 9.00 horas e ainda se fazia sentir um nevoeiro denso e um frio de rachar.

Junto do paredão resolvemos chamar um dos funcionários da barragem e pedir-lhe algumas dicas. Ficámos logo com a indicação da saída antes do paredão e como voltar a entrar logo após o mesmo. A saída seria muito fácil pois existe uma rampa uns 200 metros antes do paredão, onde acedemos com carro. Agora a reentrada não se vislumbrava fácil, pois desde a estrada que nos leva até lá abaixo existe uma zona ainda extensa de muita pedra grande, que dificulta ali caminhar carregando os kayaks e equipamentos, não impossível mas difícil. A outra opção seria passar por dentro da barragem (o funcionário disse-nos que autorizavam) e descer umas escadas de ferro extremamente íngremes, difíceis de descer com os nossos compridos e carregados kayaks, a 1ª opção seria melhor. Resolvemos rumar à Amieira do Tejo, pois caso não quiséssemos entrar logo após o paredão teríamos já inspeccionado outra possível entrada uns 3 km após o mesmo.com a indicaçir-lhe algumas dicas.as is importantes a reconhecer. unto ao clube n Realmente na Amieira a entrada seria fácil e ficamos em pensar se entraríamos após o paredão ou na Amieira, algo a decidir posteriormente.

Arrancamos em direcção à Barragem de Cedillo, lá chegados encontramos logo uma estrada de terra á esquerda que nos leva ao fundo do paredão, onde a entrada na água se faz facilmente. Tiradas umas fotos do local, subimos e fomos ver a barragem já em Espanha. Para passar a fronteira passa-se por cima do paredão e vê-se a confluência do Rio Tejo com o Rio Sever, rodeados por uma bela e densa vegetação.

Feita esta parte inicial, toca de ripar para a barragem de Belver, onde passamos por cima do paredão e fomos para a praia fluvial ver a local de chegada neste local. Esta zona é também fácil e acessível para sair. Vimos igualmente o parque de campismo de Ortiga e fomos fazer o almoço tipo pic-nic á beira de água. Após o cafezito fomos inspeccionar o local de reentrada após o paredão de Belver, por um caminho de terra que facilita a entrada na água.Uma residente que por ali estava pegou á conversa e disse-nos que um dos seus maiores sonhos seria descer o Tejo todo de canoa, ao ver aquele olhar e ao sentir aquele desejo quase que tive tentado a convidá-la a vir connosco, era uma mulher que aparentava uns sessenta anos, mas ainda cheia de genica e de vida. Afinal o gosto por andar na água alcança imensas gerações neste país, mesmo aquelas que nunca experimentaram a canoagem. Toca de pormo-nos á estrada e conduzir ao longo do rio em direcção a Abrantes, onde ainda antes fizemos algumas paragens para observar o rio e tirar mais umas fotos. Junto à Central do Pego existe ainda um açude de pedra, que teremos que transpor pelas mesmas, pois as margens não permitem a passagem, mas nada que não se faça na boa. Chegados a Abrantes fomos até junto do açude insuflável para estudar a passagem do mesmo, uma das zonas estava aberta e a água corria livremente, pela altura do açude (cerca de um metro a metro e meio) daria para saltar com os kayaks, mas não deu para perceber se é fundo ou não após o salto, caso não queiramos arriscar no salto, o açude passa-se muito bem pela margem direita, saindo e andando um 150 metros e voltando a entrar na água, no dia veremos se saltamos ou contornamos.
Conhecido o percurso até aqui seguimos para Constância, onde fomos ver o parque de campismo e o local de saída da água junto ao mesmo. Aqui teremos que entrar uns 800mt adentro do Rio Zêzere para atracar, sendo a saída fácil e o parque perto. Mais estrada, agora em direcção ao Castelo do Almourol para ver aquela bela paisagem e tirar umas fotos do imponente castelo. Outra vez para a estrada agora em direcção a Alverca. Não parámos em Santarém, pois o ponto de pernoita nesta zona já tinha sido definido no Google Earth e não há estradas para lá chegar. Durante toda esta longa e movimentada viagem, conversamos imenso sobre o passeio e formas de o fazer e sobre muitos outros assuntos, dando para aprofundarmos ainda mais a nossa recente amizade. Depois ainda tive que fazer mais uns bons km para chegar a casa no Alentejo. A partir daqui temos acertado pormenores pelo telefone e a aventura está quase aí à porta para nossa delícia.
Depois farei aqui a descrição desta aventura, com um bom complemento fotográfico, pois a paisagem já vista é muito bonita e ainda há mais beleza para descobrir e pagaiar.