Pagaia Élio VI

Sendo possuidores de três pagaias que variam entre uma qualidade baixa e uma qualidade média, chegou a altura de investir numa de boa qualidade. O desejo era de ter uma pagaia leve, com umas pás de boa dimensão, que melhora-se a tracção na água, principalmente em passeios no mar e possibilitando uma maior velocidade.


Nos passeios em que pude participar com os Amigos da Pagaia foi-me possível experimentar uma diversidade de pagaias, o que me permitiu ir definindo o que desejava. Os preços das pagaias variam bastante no nosso mercado, dependendo dos modelos e marcas, dos fabricantes e dos importadores, sendo importante fazer uma boa selecção para comprar algo de qualidade a um preço aceitável (pois não posso inviabilizar a compra do bote da águas bravas). Após a consulta de diversos sites e vários contactos telefónicos com diversas marcas e representantes, cheguei á conclusão que quase todos efectuam cópias de marcas de renome internacional (estas extremamente caras), sendo as cópias da marca Bracsa fabricadas em maior número. Também optei por contactar atletas de competição, os quais tinham pagaias á venda, não com o objectivo de comprar usadas, mas de ouvir as suas opiniões sobre os mais diversos modelos. Escutando e aprendendo com os conselhos e opiniões de alguns Amigos da Pagaia, dos fabricantes e dos atletas de competição decidi então que queria uma pagaia em carbono, em “colher” tipo competição, com uma pá com cerca de 770 cm2, com um peso entre as 650 gr e as 750 gr, em que a dita colher tivesse uma maior dimensão na sua extremidade para possibilitar uma maior tracção em mar. Como é óbvio a escolha da marca teve em consideração o preço, pois os fabricantes nacionais copiam todos os modelos da Bracsa, sendo produtos muito similares na qualidade mas não no preço. Tendo em consideração o desejo e os objectivos traçados optei por uma cópia Bracsa, a Élio VI, que me foi enviada pelo correio, tendo eu que fazer a sua montagem, a colagem das pás no tubo (pois montada teria que ser expedida por transportadora aumentando em muito o custo da mesma).

Desde a encomenda até chegar ás minhas mãos decorreram cinco dias, período em que me interroguei se conseguiria efectuar correctamente a montagem. O fabricante explicou ao pormenor como haveria de proceder para a montagem, enviando a respectiva cola e mostrando-se sempre disponível para qualquer dúvida. Tenho que admitir que achei que seria complicado, nomeadamente para estabelecer o ângulo adequado, mas seria mais um desafio, que se veio a provar ser facilmente resolvido. As três pagaias de casa ajudaram a aproximar do ângulo mais habitual, mas sendo estas pás em concha existiam certas diferenças. Sem efectuar a colagem fui ensaiando os ângulos quer pagaiando no ar, quer no tanque do monte. Estes ensaios permitiram-me escolher o ângulo apropriado para mim, onde optei por não ter que efectuar aquela ligeira rotação nas mãos ao mudar da pá da direita para a pá da esquerda. Após os ângulos estarem definidos efectuei a colagem e retirei as enormes letras a publicitar a marca, faltando agora o ensaio dentro de água com o kayak.

Foi em mais um passeio alentejano de 25 km na Barragem de Campilhas, que fiz o ensaio. As primeiras pagaiadelas exigiram alguma habituação, pois estas pás em colher são muito diferentes das que já possuía, de início sentiu-se de imediato um aumento de velocidade (com a pagaiada certinha), mas também um aumento de instabilidade, que foi diminuindo e desaparecendo com os km. A velocidade continuava alta, o peso da pagaia nem se notava, mas após uns 15 km comecei a notar e a sentir o cansaço que esta pagaia transmite, pois a dimensão das suas pás exige mais esforço a pagaiar, nomeadamente quando o ritmo até aqui imprimido era tipo de competição. Desde que é colocada dentro de água até sair sente-se sempre a tracção e a força na água, notando-se o efeito do seu poder na velocidade atingida. Mas após mais alguns km os músculos habituaram-se e deixaram de se queixar do esforço exigido. É uma pagaia que exige alguma habituação e treino, mas que depois de dominada dá um prazer de velocidade e de força incrível. Enfim, fiquei muito satisfeito com esta nova aquisição, faltando agora ir para o mar experimentar este peso muito leve, tão leve como mais leve ficou a minha carteira, mas a jeito de conclusão toda esta leveza valeu a pena.

SoulWater

2 comentários:

Anónimo disse...

Obrigado pela excelente descrição. Depois de ter já experimentado este tipo pagaia fiquei fã. Hoje, enviei mail para a Elio a pedir que explique a diferença da Elio I e da VI.
Se souber...
Carvalho

SoulWater & MindWater, disse...

A èlio I tem mais área de pá, anda mais, mas puxa mais um pouco pelo corpo, julgo que a VI é um bom compromisso entre velocidade e esforço.